10. ACIDENTES DE TRABALHO (MS,1999)

Segundo o Ministério da Saúde (1999), os acidentes de trabalho com sangue e outros fluidos potencialmente contaminados devem ser tratados como casos de emergência médica, uma vez que as intervenções para profilaxia da infecção pelo HIV e hepatite B necessitam ser iniciados logo após a ocorrência do acidente, para sua maior eficácia.

O risco médio de se adquirir o HIV é de, aproximadamente, 0,3% após exposição percutânea, e de 0,09% após exposição mucocutânea. Esse risco foi avaliado em situações de exposição a sangue; o risco de infecção associado a outros materiais biológicos é inferior, ainda que não seja definido. O risco de transmissão após exposição da pele íntegra a sangue infectado pelo HIV é estimado como menor do que o risco após exposição mucocutânea.

Um estudo caso-controle, com o uso profilático do AZT (zidovudina), demonstrou uma associação entre o uso de quimioprofilaxia e a redução de 81% do risco de soroconversão após exposição ocupacional. Atualmente, o uso combinado de anti-retrovirais é recomendado pela sua possibilidade de maior eficácia na redução do risco de transmissão ocupacional do HIV, embora isto ainda não tenha sido comprovado em estudos clínicos.

A probabilidade de infecção pelo vírus da hepatite B após exposição percutânea é significativamente maior do que a probabilidade de infecção pelo HIV, podendo atingir até 40%, em exposições onde o paciente-fonte apresente sorologia AgHBs reativa. Para o vírus da hepatite C, o risco médio é de 1,8%; dependendo do teste utilizado para diagnóstico da hepatite C, o risco pode variar de 1 a 10%.

No Brasil, a utilização da vacina para hepatite B é recomendada para todos os profissionais de saúde. Após exposição ocupacional a material biológico, mesmo para profissionais não imunizados, o uso da vacina, associado ou não a gamaglobulina hiperimune para hepatite B, é uma medida que, comprovadamente, reduz o risco de infecção.

Não existe, no momento, intervenção específica para prevenir a transmissão do vírus da hepatite C após exposição ocupacional, daí enfatizar-se os cuidados para evitar os acidentes.

10.1 - PREVENÇÃO DE ACIDENTES

  • As agulhas não devem ser reencapadas pelas mãos, nem dobradas ou quebradas intencionalmente. Se um paciente precisar de múltiplas injeções de anestésico de uma única seringa, a agulha pode ser reencapada pela técnica de deslizar a agulha para dentro da tampa deixada sobre uma superfície (bandeja do instrumental ou mesa auxiliar) . 

  • Durante o trabalho, a passagem das seringas sobre o paciente deve ser minimizada ou totalmente eliminada, se possível. 

  • Manusear com o máximo cuidado objetos pérfuro-cortantes, como bisturis e exploradores, para evitar cortes e arranhões. 

  • Não colocar objetos contaminados nos bolsos dos uniformes. 

  • Usar diques de borracha e sugador de alta potência sempre que possível. 

  • Não tocar olhos, nariz, boca, máscara ou cabelo durante o atendimento do paciente. 

  • Não se alimentar, beber nem fumar na clínica.

10.2 - CONDUTA APÓS EXPOSIÇÃO ACIDENTAL (SESSP,1999)

Após acidente com pérfuro-cortante, serão adotadas as seguintes condutas:

  • Cuidados locais. 

  • Notificação. 

  • Avaliação do acidente: material biológico envolvido; tipo de acidente; situação sorológica do paciente-fonte em relação ao HIV; situação do paciente-fonte com relação aos vírus da hepatite B e C; coleta de material e seguimento clínico/laboratorial do profissional acidentado.