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Radioterapia de cabeça e pescoço e suas implicações

A radioterapia é uma especialidade médica utilizada no tratamento do câncer de cabeça e pescoço que pode provocar efeitos colaterais importantes aos tecidos bucais. Tais problemas são dose-dependentes e dependem, também, da radio-sensibilidade e/ou radio-resistência dos tecidos e do paciente. Radiomucosite, cárie de radiação, hipossalivação, osteorradionecrose são algumas das seqüelas desse tratamento. A avaliação da condição bucal e o acompanhamento pelo cirurgião-dentista preferencialmente antes de se iniciar o tratamento radioterápico, durante e após a radioterapia podem minimizar os danos causados aos tecidos bucais e melhorar consideravelmente a qualidade de vida do paciente.

 

RADIOMUCOSITE 

A sensibilidade da mucosa bucal à radioterapia depende do estágio do ciclo de suas células. As células epiteliais da mucosa bucal se dividem rapidamente, tendo assim, baixa resistência à radiação. A mucosite geralmente se desenvolve a partir da segunda semana do início da terapia, com doses de 2500 a 3000 cGy. A mucosite durante a radioterapia merece atenção muito antes do seu surgimento, já que com o agravamento do quadro o paciente não consegue alimentar-se o que pode levar à suspensão da radioterapia e, conseqüentemente, em um avanço do tumor. O uso do laser terapêutico de baixa intensidade, entre outras formas terapêuticas, está indicado nesses casos, com ação analgésica, antiinflamatória e de reparação tecidual. 

CÁRIE DE RADIAÇÃO

Com a radioterapia há uma mudança na flora bucal que se torna ácida, promovendo o aumento de S. mutans, lactobacillus e cândida. A saliva sofre diminuição de seu volume e alteração de suas qualidades. Tais alterações propiciam o desenvolvimento de um tipo de cárie que ocorre principalmente no terço cervical, iniciando-se pela face vestibular e posteriormente pela lingual progredindo ao redor do dente, como uma lesão anelar, que pode levar à amputação da coroa. A cárie de radiação se desenvolve de maneira lenta e sem sintomatologia dolorosa e pode surgir até após 1 ano da terapia. A radioterapia também tem efeito direto sobre as estruturas dentárias facilitando o progresso da cárie. O tratamento mais eficaz nesses casos é a prevenção. Assim o paciente deve ser orientado quanto à higiene bucal, restrição de açúcares na dieta, uso de saliva artificial ou goma de mascar para estimular a secreção salivar e aplicação tópica de flúor. 

HIPOSSALIVAÇÃO

Durante o tratamento do câncer de cabeça e pescoço, através da radioterapia, as glândulas salivares estão usualmente dentro da zona de irradiação, provocando alterações morfofisiológicas das mesmas com conseqüente diminuição do fluxo salivar. Quando as glândulas salivares maiores são afetadas pela radiação, o fluxo salivar pode diminuir em até 90%. Os pacientes com hipossalivação geralmente se queixam de uma sensação de ardor bucal, dificuldade de deglutir alimentos secos, dificuldade de falar, diminuição o paladar, aumento do consumo de líquidos, úlceras dolorosas e aumento de lesões cariosas. Para reduzir o desconforto ocasionado pela hipossalivação pode ser utilizado, além da saliva artificial, estimuladores da salivação, assim como alimentos, laserterapia, entre outros. 

OSTEORADIONECROSE

A radioterapia provoca uma inflamação do endotélio dos vasos sanguíneos reduzindo o calibre dos mesmos e conseqüentemente levando o osso a uma menor irrigação. Com menos irrigação o osso torna-se mais vulnerável a infecções, impossibilitando as exodontias pós-radioterapia. Por este motivo, também, os pacientes devem ser avaliados previamente à terapia irradiante para que exodontias, se indicadas, possam ser feitas antes do início da radioterapia. Quando instalada, a osteorradionecrose merece atenção diária e corretas indicações de tratamento. 

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